sexta-feira, 2 de julho de 2010

Musicando os dias.

quinta dionisíaca
de cerveja e som
de nuances e tons
de leveza e paz

segunda-feira, 7 de junho de 2010

AS COISAS QUE EU TENTO

Eu podia estar ganhando dinheiro
Mas as coisas que eu penso
Alguém já pensou primeiro
Eu podia estar chegando em primeiro
Mas com as coisas que eu tento
Alguém já ganhou dinheiro

Eu fiz um curso de administração
Datilografia, computação
Filosofia da qualificação
Li jornal pra poder ter opinião

Eu fui vender lugar na fila do SUS
Inventei piada de português
A verdadeira igreja de Jesus
E a empresa que entende o freguês

Eu podia estar ganhando dinheiro
Mas as coisas que eu penso
Alguém já pensou primeiro
Eu podia estar chegando em primeiro
Mas com as coisas que eu tento
Alguém já ganhou dinheiro

Eu fiz um curso pra virar artista
Teste pra aparecer na TV
Li sobre os famosos na revista
E acabei em um comercial de patê

Fiz outro rock sobre o que eu detesto
Inventei coreografia de axé
Uma MPB de protesto
Mostrei pros gringos o que é samba no pé

Eu podia estar ganhando dinheiro
Mas as coisas que eu penso
Alguém já pensou primeiro
Eu podia estar chegando em primeiro
Mas com as coisas que eu tento
Alguém já ganhou dinheiro

domingo, 23 de maio de 2010

JORGE AMADO PIRADO (AO SOM DE PINK FLOYD)

Tomei litros de café e cachaça
Um pra acordar e outro pra achar graça
Ouvindo Pink Floyd no escuro
Fiquei cercado por meu próprio muro

Eu to desde sábado trancado no meu quarto
Sozinho de cuecas dançando embriagado
Ensangüentado pois caí mais de dez vezes no banheiro
Enquanto recitava Jorge Amado em frente ao espelho

Eu to pirado!

Já quebrei várias vezes a cara
Umas por que quis e outras na marra
Mas agora não tem mais volta
Que nem a ambulância bate na minha porta

Eu to desde sábado trancado no meu quarto
Sozinho de cuecas dançando embriagado
Ensangüentado pois caí mais de dez vezes no banheiro
Enquanto recitava Jorge Amado em frente ao espelho

Eu to pirado!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

CLEPTO

A ocasião me fez degenerado
Cansei de encher os bolsos do patrão
Enquanto ele olha para o outro lado
Eu aproveito e passo a mão
Me obrigou a trabalhar em uma feriado
A ocasião me fez ladrão...

Clepto!
Maníaco!
Hoje eu li no meu zodíaco
Dizia que era para eu roubar

O uso e o mau uso me fazem indignado
O cifrão concentrado embaixo de um só colchão
No meu emprego tu é mal aproveitado
Hora da redistribuição...
Me obrigaram a trabalhar no meu aniversário
Resolvi ganhar uma gratificação

Clepto!
Maníaco!
Hoje eu li no meu zodíaco
Dizia que era para eu roubar

Eu podia estar matando
Eu podia estar pedindo
Eu podia estar politicando
Eu podia estar explorando
Mas não!
Eu estou roubando...

Eu podia estar rezando
Eu podia estar mentindo
Eu podia estar malhando
Eu podia estar sonhando
Mas não!
Eu estou roubando...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

ALEMÓN

É um cara
Conhecido
Como Alemón e um trago ele gosta de tomar
Não tem dinheiro
Nem é bonito
Ninguém gosta do estilo de sua vida levar
Os seus dentes
Estão caindo
Ao mesmo tempo que o sucesso não lhe deu um lugar
Nós o vemos
Como um fudido
Mas o que ele vê em nós ninguém gosta de pensar

"Só me deixem quieto
No meu canto
Sossegado
Destilando
Os meus próprios pensamenos
Que se foda
O seu jeito
De viver a vida
Vendendo
Seu rabo para ser aceito"

A sociedade
Quer corrigí-lo
Para que um consumidor ele possa se tornar
E ele segue
Clandestino
Vermelho de tão brabo por tentarem o controlar
No seu caminho
Desistindo
Não alcança nada pois ele nem vai tentar
Não tem destino
Escolhe ser solito
Que sua vida miserável até podemos invejar

"Não tenho nenhum saco
Pro seu papo furado
Sobre quem é fulano
E é ciclano
Não quero nem saber
Quem anda com quem
Onde
E nem o que estão fazendo"

terça-feira, 18 de maio de 2010

PASTEL

Saí para comprar pastel e encontrei meu grande amor

Estava parada sozinha em um canto tomando café

Atrapalhado fui ao balcão e engasguei ao pedir um pão

Francês


Quando pensei em lhe falar abriu-se a porta do banheiro

Um tal com cara de idiota e muito dinheiro

Aproximou-se e lhe contou uma lorota

E ela riu


Sai do estabelecimento com a mercadoria errada na mão

E do nada minha vida já não fazia mais sentido

Atravessei a estrada com o peito doído e fui parar

Na redenção


Um velho pipoqueiro viu-me sentado em um banco

Com espanto reparou no meu estado e venho de cara amarela

“O amor não é preto no branco, meu filho limpa logo este pranto

Que assim tu espanta toda a clientela”


Como milho estoura em pipoca a raiva explodiu em meu peito

Eu sei que é este o meu defeito mas não posso me controlar

Espanquei o velho pipoqueiro, roubei-lhe todo o dinheiro

E fui pro bar

segunda-feira, 3 de maio de 2010

JORNADA

Quantas horas?
Quantas horas?
Quanto falta?
Para dar o fora
Eu quero ir embora!
Eu quero ir embora!

E ficar sem fazer nada
Sei que isso não é digno
Mas é só assim que eu sobrevivo...

Eu só quero
Meu pagamento
Para poder ir embora daqui

Como pode
Um homem
Ser acordado às 6 da manhã
Alimentar-se a força
Cagar, mijar
Pegar um ônibus
E ir a um lugar
Onde o que fará
Essêncialmente
É encher os bolsos de outro homem de dinheiro
E ainda sentir-se
Agradecido pela oportunidade?
Como?
Responda!
Como?

domingo, 2 de maio de 2010

SATANÁS

Ela
É das ruas
Das Esquinas
É dos becos
Sem saída...Da vida
E o meu álcool é sua saliva

Seus
Passos eu
Sigo
Como um cão
Abandonado...Ao próprio azar
E é só me dizer quem devo matar

Vamos lá!
Me leve para onde não temos razão
Vamos lá!
Me salve...Pela Perdição

Ela
É dos bares
Da estrada
E a cidade
Não dorme...Se ela não quer
O submundo faz o que ela quiser

Pelos
Seus passos
Me sinto
Libertado
Pro diabo...Que me carregue
E seja qual for o preço eu pago

Vamos lá!
Me leve para onde não temos razão
Vamos lá!
Me salve...Pela Perdição